
terça-feira, 15 de novembro de 2011
domingo, 6 de novembro de 2011
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
sábado, 24 de setembro de 2011
Adro de solidão
(Christiano Moraleida)
Que queres fazer desse amor?
Um rio vazio, imerso e sem flor?
Um raro e raso alcance à dor?
Que feio esse amor!
De um peito límpido rasgaste o ávido
do sangue fizeste o pálido
da aurora trouxeste o desesperado adro de solidão
Não faz isso não!
Que queres fazer desse amor?
Se o tudo é o pouco eterno
e a lástima do vazio materno
é a fuga pra ingratidão
Se em sumo pessoa errada
fizeste em estado ingrata
e do choro que perdeu a lágrima
um cume-calmo da desolação
Não faz isso não!
Que a vida ainda implora amada
no manto de agora sagrada
a dor da separação
João Ninguém na terra do nada
(Christiano Moraleida)
Se você quer
tudo bem do seu jeitinho
tudo com muito carinho
você tem que entender
que tem coisas que as vezes acontece
que a gente desconhece
sem a gente compreender
Tem que entender que na vida
se tem muita fantasia,
que querer não é poder
Então fique,
fique aqui mesmo
não vá, não tenha medo
tudo pode acontecer
E o que é certo ou errado?
Jesus morreu enforcado
e Tiradentes foi pregado
e libertado pela CUT
E hoje ninguém discute
se era Deus ou o Diabo
O Papa teve uma overdose
Romeu exagerou na dose
então a Coca-cola surge
E quem não teve virtude
hoje está consagrado
Quem abriu o mar vermelho foi Raulzito
Hitler quem inventou Carlitos
e Elvis morreu de fimose
Izabel só assinou a carta áurea
por que era penetrada
por um negro grande e forte
E Colombo deu um golpe do Estado
tomou posse do outro lado
e festejou na apoteose
Tudo enquanto você dormia
cansado de tanto trabalhar
levanta que o que parecia sonho
era realidade
Você que achava que era esperto
que o errado era o certo
e descobriu depois de um porre
que era mais seguro e interessante
ser um sábio viajante
e descobrir todo o universo
Levanta-te e andas...
Que Judas perdeu as suas botas
porque não ficou de fora
da passeata dos surfistas
Gritando que mar não tá prá peixes
e nem Napoleão conteve
e foi na frente de turista
E Lennon só se casou com Yoko
prá fazer pirraça
com "Mccartney" e seus pais
Depois viu que a coisa ficou séria
afogou-se na banheira
e foi rever seus ancestrais
E você fica parado
assistindo de camarote
compre logo o seu lote
que o céu já está esgotando
passa dia, passa ano
e você nem entrou na história
tem que registrar o seu nome
no nosso quadro de memória
Ausência
Ai de quem falta o samba pra sobreviver
(Christiano Moraleida)
Haja samba pra levantar
Haja samba pra valer
Haja samba pra suportar
Haja samba pra descer
Haja samba pra esculhambar
Haja samba pra viver
Ai de quem falta o samba pra sobrevi ver
Quem sabe
Da ignorância que reinava
Debaixo do teu turbilhão
Toda a origem destampada
Retratos de um crime comum
Num mundo de estrelas soterradas
Narcos e fanáticos, dramáticos piratas
A dor da tempestade
De uma lágrima rasgada
Há quem diga
Há quem diga que vive na contra-mão
E morre, perdido na solidão
Trapo, barraco e sopapo
Lampejos de amor e cetim
Me engole
Mas deixe da sorte
Um pouquinho pra mim
Indiamim
(Christiano Moraleida)
Pequena índia da terra
Morena dos olhos da noite
Cheiro do alto da serra
Suor, lágrimas de rio doce
Vai que as flores te esperam
Com a ensaiada orquestra dos bichos
Cavalgue seus sonhos adentro
À floresta dos seus princípios
Vai que a vida te espera
Desfrute dos seus adjetivos
Mas leve em sua bagagem
Dez dias dos nossos sorrisos
Dois em um
(Christiano Moraleida)
Tudo está tão simples
E muito mais bonito de se acreditar
Nas coisas que a gente vive
Nada ficou fora ou fora do lugar
E o frio que passamos juntos?
E as chuvas que vieram sem nos avisar?
Foi um passo a cada segundo
Mas qual, nenhum dilúvio vai nos separar
Ah, eu só quero você
Eu só quero saber
Do que você me diz
Ah, eu só penso em você
E no que posso fazer
Pra te fazer feliz
E ser feliz
Uma canção
(Christiano Moraleida)
Preciso ler Carlos Drummond
E ouvir uma canção pra ela
Uma canção de amor
Ouvir uma canção singela
Que fale tudo o que eu quero escutar
Que ouça tudo o que eu quero dizer
Que não separa
Você de mim
E nem eu de você e mais ninguém
Podemos voar assim
Juntos,
Cantarmos assim
Para todos ouvirem
Para todos cantarem também
Sub-jaz que esta acústica me incomoda
(Christiano Moraleida)
A minha geladeira está cheia
De espaço para ocupar
Meu cigarro está acabando
E eu não tenho dinheiro pra comprar
A minha namorada
Me trocou por uma “Drag Popstar”
E eu fico trancado no meu quarto
Ouvindo “Fear of the dark”
É que eu detest funk
Eu prefiro rock ou punk
Por favor, não me dê Funk pra escutar
Meu acerto do trabalho foi roubado
E meu extrato foi para o ar
Meu seguro desemprego sorteado pra umas conta a pagar
Minha dor de saco cheio nem papai Noel tem saco pra agüentar
E minha honra deslavada
Numa análise que eu tive de enfrentar
Meu consolo é um amigo que já viveu piores por aí
Mas do jeito que as coisas andam vou parar na CPI
COMISSÃO POPULAR DE INDIGENTES, coisas que eu nunca vi
Na miséria
Eu virei doutor
Diplomado na UTI
Sub-jaz que esta acústica me incomoda 2
(Christiano Moraleida)
Se é muito, não tão tarde
Derramar sua hipocrisia
Fina estampa de arrogante
Fina flor, demagogia
Sonhe e suma
Preso alarde
Paradigma da sina
Estranha destampada cara
De peroba e parafina
Essa acústica me incomoda
Sub sub-jaz
Ilusão atônita
Me ensina
(Christiano Moraleida)
Me ensina a viver sem você
Que eu te deixo partir,
Você pode ir
Para os braços de alguém
Que só lhe quer bem
Não faça chorar
Não faça lembrar
A dor de não ter
Você só pra mim
Juntinha de mim
Que posso fazer?
Me ensina a dizer
Coisas que não precisam você compreender
Não tente entender
Não vá lamentar
A dor de não ter
Eu só pra você
Juntinhos assim
O que será de nós?
Quero
(Christiano Moraleida)
Quero saciar os teus desejos
Lhe cobrir de milhões de beijos
Todo dia ao acordar
Quero seu amor de corpo inteiro
No calor desse aconchego
Sem ter hora pra acabar
Quero ser a sua poesia
Dia e noite, noite e dia
Quero tudo o que vier
Vem me faça mansa
Me balança
De dia me faz criança
De noite me faz mulher
Com você
(Christiano Moraleida)
Quero te ter
Te tocar
E sentir o prazer de estar
Com você
Acordar
E dormir encaixados
Tão bom
Te despir
Te devorar
Te dizer como é bom te provar
De saber como é bom lambuzar
Com você
Tudo fica bom
NPB
(Christiano Moraleida)
Não quero ver a cara de uma nação soberba e estúpida
Que entope a guela de burrice
Não quero ver a cara de uma nação hipócrita
Que goza com as coisas que eles dizem
Se você se instruir
Quem é que vai carregar a mala deles?
É melhor não perguntar
Porque não há ninguém pra responder
Tudo o que você precisa saber
Da NAÇÃO POPULAR BRASILEIRA
Não está escrito nas revistas CARAS
Não está CONTIGO!
E nem está nas falas
Das novelas recheadas de corpos perfeitos
E sorrisos cínicos
Xiquita sacana
(Christiano Moraleida)
Vou tomar um porre
E cair na lama
Pegar meu dinheiro
Torrar toda a grana
Estou de saco cheio
De xiquita bacana
Capital, veraneio
Oportunista banana
Eu não tenho cérebro pra te suportar
Eu vou para o inferno pra não te encontrar
Eu não tenho medo
Não durmo mais cedo
Só pra te agradar
Eu não tenho inveja da sua cobiça
Eu não tenho culpa da sua preguiça
Eu vou e você fica
Suando a camisa pra me alcançar
Eu não puxo o saco
Pra te conquistar
Eu não mudo de nome
Pra ninguém me chamar
Cara plágio de pau
Urubuzana zoreta
Um dia vai se dar mal
Isso não é brincadeira
Cantiga dos deuses
(Christiano Moraleida)
Vem capoeira
Vem capoeira
Yemanjá, Yemanjá
Yemanjá me mandou te chamar
Para cantar
No embalo da alegria
Para dançar a cantiga dos deuses
Ogum e oxalá
Para dançar
No compasso da harmonia
Para evocar a energia
Do mar de yemanjá
Gente que fala com Deus
Gente que fala com o mar
Gente da terra da gente
Gente de todo lugar
Circo (alforria da arte)
(Christiano Moraleida)
Gente que passa
Que dança
Que canta e encanta
Com tanta alegria
Magia
Sacia
Alivia
Alforria da arte
Que invade
Que há de saudade
Trazer esperança
Lembrança
Mudança na vida da gente
Ausente de tanta riqueza
Nobreza de rara beleza
Exaltada no faro
No tato da alma
Que acalma na palma
Ao fim do espetáculo
Eu só quero um blues
Eu só quero um blues (Christiano Moraleida)
Noites tão vazias
Noites cheias demais
Mentes tão bonitas
E eu nem quero pensar
Eu quero um blues agora
As três horas da manha
Vizinhos doentes
Procurando um divã
E eu quero um blues agora
as três horas da manha
Eu não quero pensar em nada
Deixa tudo pra amanha
Noites inteiras
Noites incompletas
Assuntos medíocres
Cabeças dispersas
Tudo o que eu quero é um blues
Agora é o que me faz bem
Não venha com sexo falso
Sexo frágil, nem vem
Bebida, álcool
Agora não me convêm
Eu quero um blues agora
É só o que me faz bem
Poetas perdidos
Em poesias banais
Fumos e cocas
Pensamentos astrais
Psicólogos loucos
Analistas demais
Cem gramas
Sem noites
Quanto tempo faz